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Quinta, 15 Julho 2021

A importância da antecipação da segunda dose contra a COVID-19

Artigo publicado na edição do Jornal A Tarde - 15 de julho de 2021

A importância da antecipação da segunda dose contra a COVID-19

Pelos menos 8 capitais brasileiras decidiram como estratégia de imunização contra a COVID-19 antecipar a aplicação da segunda dose (D2) da vacina AstraZeneca para até 60 dias, o que gerou uma série de controvérsias e questionamentos.

Alguns especialistas são contrários à medida e sustentam a ideia de que mais pessoas poderiam ser vacinadas com a primeira dose, o que seria mais benéfico para a população. Ou seja, esse cenário prevê reverter a antecipação para aplicação da primeira dose (D1). O grande problema é que os imunizantes encaminhados aos municípios para fechamento do esquema vacinal são “carimbados” pelo Ministério da Saúde, ou seja, sua utilização é recomendada para uso exclusivo do reforço vacinal, então, ficamos impedidos de utilizarmos de forma diferente. Se não podemos utilizá-los como primeira dose, a única alternativa é deixá-los guardados para serem usados no dia exato estabelecido no cartão vacinal de cada indivíduo. Salvador, por exemplo, recebeu 61.000 doses para serem utilizadas como D2. 48.000 delas só poderão ser utilizadas a partir do dia 22 de julho e de forma gradativa, obedecendo o quantitativo de pessoas aprazadas por dia.

Já outro grupo de especialistas concorda com a aceleração do processo de imunização completa. Antecipar a segunda dose refletiria na diminuição de casos graves da doença, número de internamentos e inibição da circulação do vírus. Além disso, a estratégia ampliaria a segurança contra a variante delta do coronavírus que já está presente em mais de cem países, inclusive no Brasil. Estamos falando de uma variante que possui característica potencialmente agressiva e altamente transmissível. A eficácia da antecipação é corroborada também por estudo recente divulgado pela revista científica Nature, uma das mais importantes do mundo. De acordo com cientistas do Instituto Pasteur e do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, duas doses da AstraZeneca são capazes de neutralizar as variantes delta e beta. Além disso, de acordo com a bula da Oxford/Astrazeneca a segunda dose pode ser aplicada de 4 a 12 semanas após a primeira dose, mas há uma perda de eficácia quando aplicada em menor tempo. De acordo com a bula com 12 semanas a eficácia é de 80% e com menos de 6 é de 55%.

A proposta do município de Salvador é impedir que essas doses fiquem paradas e que a antecipação seja feita apenas no período de 9 a 11 semanas, onde a eficácia cai muito pouco, passando de 80 para 72,3%, ainda assim maior que os índices de eficácia dos imunizantes CoronaVac (50,38%) e Janssen (66%). Dessa forma, teríamos mais pessoas protegidas com o esquema completo e evitaríamos vacinas armazenadas sem trazer nenhum benefício para a sociedade.

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